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O olhar holístico das mulheres faz a diferença nas empresas


O segundo Fórum Líderes TV “Mulheres América Latina”, realizado em 11/08, contou com participação de 24 representantes do gênero feminino com atuação de destaque na América Latina, dentre elas, brasileiras como Bia Doria, artista plástica e primeira-dama do Estado de São Paulo, Luiza Trajano, presidente e fundadora do Magazine Luiza e Patrícia Iglecias, diretora-presidente da CETESB e professora da Universidade São Paulo – USP.

Transmitido a partir do Sheraton Buenos Aires Hotel & Convention Center, em Buenos Aires, na Argentina, o evento teve formato híbrido, com parte das participantes presencialmente e outras via streaming, em canal do YouTube.

O Fórum objetivou analisar e discutir como ocorre o crescimento da liderança feminina em empresas e negócios na América Latina e a importância de uma abordagem sustentável em cada projeto, entre outros assuntos.

No painel ‘Sustentabilidade’, aberto por Patrícia Iglecias, primeira mulher a presidir a agência ambiental paulista, em 53 anos de existência, ficaram evidentes os benefícios do olhar holístico, uma característica nas lideranças femininas.

“Em minha gestão na CETESB procurei introduzir um novo olhar para o licenciamento por meio do programa “CETESB de Portas Abertas”, com o qual temos a possibilidade de conversar com os empreendedores do Estado e orientar como devem ser feitos os projetos entregues ao órgão ambiental. “Chegamos a um resultado positivo e conquistamos maior eficiência nos prazos do licenciamento.”

A presidente conta que projetou o Acordo Ambiental São Paulo, iniciado em 2019, em conjunto com o setor privado. A iniciativa pretende reduzir as emissões de gases de efeito estufa. “Começamos com 55 aderentes, hoje ultrapassamos 500. Agora, com a recente divulgação do relatório do IPCC, que deixa evidente o quanto teremos que correr atrás para reduzir as emissões, nosso acordo ganha destaque. O objetivo é trazer as empresas, voluntariamente, para apresentar seus dados de redução de emissões de gases. Não basta exigir, temos de orientar e construir em conjunto com os nossos stakeholders aquilo que é possível fazer.”

Segundo ela, é preciso que o conhecimento técnico e científico, presentes na CETESB, retornem para a sociedade em ações sustentáveis. “Digo que sustentabilidade é sinônimo de eficiência e mais do que isso, de qualidade de vida para aqueles que habitam o nosso planeta.”

Patrícia considera que a sua principal contribuição como diretora-presidente da CETESB pode ser resumida numa palavra: gestão. “Ela envolve eficiência, modernidade e igualdade de gênero. Sempre que tivermos esse tipo de oportunidade, como mulheres, temos de trabalhar nesse sentido. A liderança feminina faz a diferença. Em termos de dados, a minha gestão, que está completando dois anos e meio, é a mais eficiente em licenciamentos na história da companhia.”


A diretora de comunicação, assuntos públicos e sustentabilidade da L’Oréal Argentina, Mariana Petrina, participou do mesmo painel e ressaltou algumas ações da marca rumo a um mundo mais sustentável. “Estamos em um momento de exceção, tempo de pensar em que mundo queremos viver e o papel da L’Oreal é imprescindível por sua presença global atrás de 36 marcas e por sua liderança no setor.”

Ela afirma que esse papel ficou demonstrado quando, há 30 anos, a empresa deixou de fazer testes em animais. “Entre 2013 e 2020, por exemplo, 80% dos ingredientes utilizados pela companhia foram de origem renovável. Está claro que é possível ser uma indústria responsável, reduzir o impacto no meio ambiente e mesmo assim seguir crescendo.”

Outra integrante do painel ‘Sustentabilidade’, Alejandra Cámara, diretora da consultoria Génesis Mudanças Climáticas e Soluções Sustentáveis, destacou em sua apresentação o volume de 55 a 57 gigatoneladas de dióxido de carbono emitidas por ano no mundo.

“Desse total, 11% correspondem às emissões da China. Para manter o aumento de temperatura no limite de 2 graus é preciso que até 2050 o volume emitido anualmente seja reduzido para 22 gigatoneladas. No entanto, para seguirmos os passos do Acordo de Paris e termos aumento de temperatura de 1,5 grau, deveremos emitir cinco gigatoneladas por ano. Ou seja, 50 gigatoneladas a menos. Isso significa mudanças no atual modelo de economia. Esse problema existe e está aí”, concluiu.

Apresentadora do evento, Cecilia Luchía-Puig, questionou a presidente da CETESB quanto a sua visão de sustentabilidade no Estado de São Paulo. Patrícia afirmou que considera a questão como tema fundamental.

“Atuamos diretamente nessa agenda e incentivamos as empresas nesse sentido. A sustentabilidade contém a visão da eficiência no processo produtivo. Por isso ouvimos tanto falar da agenda ASG. Que é uma agenda ambiental social e de governança corporativa, porque não há eficiência sem se considerar os aspectos ambientais.”

Segundo ela, a adequação para demonstrar a redução de gases de efeito estufa no Estado é muito grande. “Em novembro estaremos na Escócia, participando da COP-26 sobre mudanças climáticas. Vamos apresentar os resultados do Acordo São Paulo. Entendemos que o setor privado e o público devem atuar em parceria, conforme recomenda a ODS 17. Aqui trabalhamos com a parceria da iniciativa privada e da academia. Essas forças precisam se unir para que possamos avançar nessa agenda.”

Em sua participação, a presidente e fundadora do Magazine Luiza, Luiza Trajano, falou de sua experiência com o início da pandemia. “Tenho um compromisso com o Brasil no sentido de gerar emprego e combater a desigualdade social. Quando começou a pandemia vivi todas as crises possíveis. Fiquei dois dias muito assustada. Nunca me paralisei tanto. Depois percebi que a coisa seria muito séria e que eu precisava ajudar as pessoas do meu país. Desde então realizo um trabalho junto ao nosso Instituto para o Desenvolvimento do Varejo para criar medidas rápidas e ajudar as pequenas empresas”, conta.

O encerramento do fórum contou com a participação da artista plástica e primeira-dama do Estado de São Paulo, Bia Doria, que afirmou ter sorte por encontrar no Governo muitas mulheres com as quais pode trabalhar no desenvolvimento de políticas públicas. “O Programa Dignidade Íntima é um deles. Vamos distribuir absorventes para jovens carentes que não podem frequentar a escola ou sair para trabalhar no período menstrual. Realizamos vários outros projetos para combater a desigualdade de classe social e gênero.”

Bia disse que é uma artista plástica ambientalista. “Meu olhar ecológico e de artista também ajudou as causas políticas ambientais como o Programa de Recuperação de Nascentes. Minha obra é um alerta ao desmatamento e um grito pela proteção ao meio ambiente e em defesa da sustentabilidade.”


Texto: Cris Olivette
Pqrints: José Jorge Neto
Programação visual da matéria no site: PPSM
Fonte: CETESB